sexta-feira, 18 de julho de 2008

A vaidade como impulso exagerado de um estado anti-social


Por razões de segurança pessoal, os homens decretaram que são todos iguais para formar uma comunidade, mas visto que essa concepção é, em última análise, contrária à natureza de cada um e aparece como algo forçado, quanto mais a segurança geral é garantida tanto mais novos ímpetos do velho instinto de preponderância começaram a se mostrar: assim, na delimitação das castas, nas pretensões às dignidades e às vantagens profissionais e em geral nos aspectos da vaidade (maneiras, vestuário, linguagem etc.). Mas a partir do momento em que se começa a prever algum perigo para a comunidade, a grande maioria, que não faz valer sua preponderância, nos períodos de tranqüilidade pública, restabelece novamente o estado de igualdade: os privilégios e vaidades absurdos desaparecem por algum tempo. Se, no entanto a comunidade social desmoronar completamente, se a anarquia se tornar universal, o estado natural brilhará de novo, com a desigualdade despreocupada e absoluta como foi o caso na ilha de Córcira, segundo o relado de Tucídides. Não há nem direito natural nem injustiça natural.


Imagem
: Obra desconhecida_ Artista Descolhecido
Musicalidade: Anarchy in U.K._ Sex Pistols

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O homem como aquele que mede


Inicia com Descartes a ruptura da filosofia com cunho religioso, não, não quero dizer que a partir de agora Deus está morto, deixa isso pra dois séculos mais adiante, com aquele indivíduo que não tinha muitos bons motivos pra viver, e contestou tudo e todos, e matou Deus e desgraçou Sócrates. Bem, voltando ao assunto, a partir do século XVI, com René Descartes o homem torna-se feitor do seu próprio destino, deixa de ser coadjuvante nessa cena, deixa de ser alguém que vive a vida como quem lê um script, e passa a ser artífice, diretor dessa grande obra que segreda o mundo. Rompendo com a escolástica e a metafísica, sem negar Deus, ao contrário o provando matematicamente, Descartes põe o homem como senhor do seu próprio destino, assim sendo, abre a liberdade para outros irem mais adiante, como Nietzsche, radical ao extremo, mas ótimo, ótimo pensador, pela coragem e pela persuasão, já que foi cristão.
Deixo-lhes um conselho: Ao descordar de um assunto, tenha argumentos plausíveis e bem fundamentados para refutá-lo, ou seja, o conheça “de cabo a rabo”.


Pos scriptum (p.s.): Curiosidade, a palavra "homem" significa "aquele que mede, mediador"-> a medida, avaliação, a balança e o peso.


Musicalidade: Roda Viva_ Chico Buarque
Imagem: Autor desconhecido_personagem: Descartes e 'plano cartesiano', é mediador, háháhá

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"Uhuuuuu gato preto cruzou a estrada, passou por debaixo da escada"


Sexta-feira 13.. que há de mau nisso?
"Superstição" vem do latim superstitio(latim agora é minha língua madrasta), que significa "o excesso",na conotação de sobrevivência do que é considerado antigo atualmente.Em qualquer acepção, designa "o que é alheio à atualidade, o que é velho". Transpondo para a linguagem religiosa dos romanos, o vocábulo "superstitio" veio a conceituar a ocorrência de cultos arcaicos, populares, não mais condizentes com as normas da religião oficial, qual seja a católica. O número 13 é tido ora como sinal de infortúnio, ora de bom agouro, é uma crença proviniente de conceitos pagãos.
"A idéia do 13 como um indício de má sorte surge da concepção que o judaico-cristianismo tem da morte, que não é, necessariamente, a idéia que Jesus teria tido. Especula-se, inclusive, que Jesus, sendo um sábio iniciado, possa ter estipulado o número de pessoas à mesa em 13 precisamente por causa da magia do número". São 12 os apóstolos sentados à Santa Ceia, contando com J.C. são 13 pessoas.Há também rumores que J.C. havia morrido numa sexta feira (a chamada sexta-feira santa, contraditório não?)
Segundo outra lenda, a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem à palavra friadagr = sexta-feira, não lembra "friday"?), após o convertimento ao Cristianismo das tribos nórdicas e alemãs, Friga foi posta como bruxa e por isso, a cunho de vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o "tinhoso"(acho que se reuniam pra bebericar absinto, "o elixir proibido", e falar mal da vida dos outros). Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos. Os humanos necessitam da imaginação para explicar os frutos podres que colhem na vida não é mesmo? Se algo dá errado, a culpa nunca é minha, é sempre de outrem, castigo de "Deus", coisa do "diabo". Sempre foi assim, só não sei se assim será sempre!
Háháhá, há também quem considere o número 13 como sorte, está ai o nosso estimado ex- técnico da seleção brasileira de futebol Zagallo.
Bem, o que tenho a desejar é: Boa sorte!
Mas o que é sorte? isso existe?
é assunto pra outro "post", por ora..se virem um gato preto com os olhos vermelhos por aí, devolvam-me, o meu fugiu de casa faz alguns dias..(háháhá..falácia)

Imagem: obra desconhecida, autor: "NAC"*
Título: Trecho de " O vira", Secos e Molhados

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"Toada Velha Cansada"


Quem? eu?
Eu envelhecerei?
Desgastarei como um plástico?
Não, estão enganados, eu não!
Ficarei velha e sem importância um dia
E minha beleza?
O que vai ser feita dela?
Vai ser retirada de mim como um demaquilante?
Oh que mundo!
E o que restará?
Um coração cheio de ditames e nostalgia
Memórias em uma cápsula vazia
Linhas e expressões cheias de estórias
Em cada parte do meu corpo, uma nova ode singular.
A vida passará sem me dizer adeus
E no meu rosto ficarão os ferimentos, mas com eles a curativa alegria.
A triste nostalgia, a vaidade descabida, a saudade infinita.
Eu viverei os dias escritos
E não me demaquilarei, deixarei lá, todas as marcas, todas as cores...
Recolorirei essa aquarela um dia, um dia, um novo dia.




Texto: Thuany Freitas (Fev/2008)
Foto : Thuany Freitas (2007)

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Proliferação de Cosmovisões


Devo admitir que as aulas de filosofia tem me feito uma pessoa melhor, me fez até pensar em fazer o curso, imagine só, eu estudando filosofia por quatro anos e pra vida toda, é necessário ser contínuo “pra que minha vida siga adiante”¹...
Pois bem, hoje, me apeteceu dividir convosco algo que muito me intrigou e desde já peço opiniões porque preciso saber mais sobre o assunto, desculpe a franqueza, mas esse texto é só uma mera pretensão de entendimento, se não o fizer, vou esquecer da dúvida.
Hoje, trabalharemos com três conceitos distintos, mas interligados, e desde já, peço perdão, por não saber mais do que informarei aqui, mas tenho interesse em agregar conhecimento.
O que é mundanização? Não, não tem nada a ver com o Big Bang, nem é algo que remonta a formação do mundo!
Para Arendt é um fenômeno, em que o ser humano ganhou o mundo, o conquistou, dominou com suas ciências, mas, em fundamento último, se alienou com esse processo.
Secularismo? O que é?
Definimos como uma certa política de “laicalização”, Laïcité (conceito Francês relacionado com a separação do estado e da religião), tornar laico. Num sentido mais amplo, como em Humanismo Secular, significa a independência em relação a religiões, crenças ou cultos.
Um conceito completamente ligado a definição de Secularismo é o que chamamos de Secularidade, que do latim siginifica “antiguidade”, que remonta ao que não se relaciona com o religioso, chamamos de “humano”, secularidade não é sinônimo de ateísmo, não liguem uma coisa a outra!
Pois bem, a mundanização de Hanna Arendt só foi possível com a realização de fenômenos como esses, anteriores. A ciência humana que a cada dia avança mais, um dia foi bastante reprimida pela igreja, se hoje temos tal desenvolvimento é porque a igreja “deixou” de interferir com seus preceitos nas obras humanas. Sabemos que de uma forma ou de outra ela interfere sim, mas não mais como antes, de forma direta. Ninguém é considerado bruxo porque estuda química, ninguém é queimado vivo porque sabe que a Terra não é o centro do universo, mas mesmo assim, a mundanização definida por Arendt também é consequência da alienação, quando deixamos nos levar por conceitos que acreditamos serem mais idôneos, sem ao menos conhecer o outro lado, pra então, opinar, nos alienamos e tomamos as coisas como fundamento ultimo, alienar-se é desvincular da possibilidade de mudar de idéia. PENSEM!


¹ trecho da música_ “Adeus você”-Los Hermanos

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Exercício Regular de Direito v.s. Livre Expressão Artística




Expressão artística é tão vinculada à personalidade humana que chega a ser um desdobramento desta. É tão única que é protegida sua autoria, sua conservação, a identificação do autor entre outros atributos.
É a forma expressa humana de ver o mundo, realizada de diferentes formas de manifestações.
Corolário do que é um direito de todos os cidadãos manifestarem suas opiniões, seus pensamentos, sua forma de enxergar o mundo, mas até quando isso é regular?
O que é exercer um direito de maneira regular?
Vocês vão dizer: _Depende!
Realmente depende, varia de acordo com o tempo e a sociedade que julga.
Caso alguém faça uma cena de strip-tease no teatro em 1800 e bolinha praticaria ato obsceno, se fosse uma mulher, esta seria considerada desonesta. E qual é o conceito de mulher honesta pra nossa sociedade? Andar de traje de banho nos arredores da praia é ato obsceno? Certamente que não.
Creio que toda forma de expressão artística deve ser válida, quando alguém é recriminado por pensar e exprimir seus pensamentos de certa forma, quem perde com isso não é só quem foi reprimido, mas sim toda sociedade. Estamos caminhando por um novo tempo, já trilhamos esse novo caminho a algumas léguas, e nesse caminho estamos descartando certos preceitos, aceitando o outro, sua forma de ver o mundo, e tendo um maior respeito pela diversidade humana, é o caminho certo, haverá um dia que ser diferente será normal.




Foto: Ronald Fischer, beekeeper, Davis, California, May 9, 1981
Richard Avedon (Um dos meus fotografos favoritos) (American, b. 1923)
Gelatin silver print; 151.4 x 119.7 cm (59 5/8 x 47 1/8 in.)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

MAIO DE 1968


Maio de 68
Uma data não tão definida...
Um mês de outono, um ano que não sei o significado numerológico, isso pouco importa, o que vale destacar mesmo, são as mudanças que este mês, este ano acarretou na sua vida, na vida do mundo, na visão política, na atitude e conceitos humanos, na economia e porque não também na ideologia.
Na França, marcaram-se os movimentos estudantis, motivados com a insatisfação com os currículos escolares, as disciplinas rígidas, a conservadora estrutura acadêmica, acabaram em confrontos entre jovens e policiais durante o mês de maio. O movimento, a principio inicia-se com estudantes, mas logo após conta com a adesão de trabalhadores, e assim, espalha-se por outras regiões da Europa.
Mais movimentos toma conta do mundo, movimentos de contestação que ocorrem em vários países do Ocidente, como Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda (Países Baixos), Suíça, Dinamarca, Espanha, Reino Unido, Polônia, México, Argentina e Chile. O que se protesta aqui é a situação vivida no pós-guerra, as guerras e as ocupações imperialistas. Nos Estados Unidos, por exemplo, os jovens opõem-se à Guerra do Vietnã e fazem manifestações do movimento hippie. Nas críticas, de modo geral, existe uma mistura de radicalismo político e irreverência, que acusa tanto o capitalismo como o socialismo. Bem, e no Brasil minha gente? Será que esse país só desencadeou movimentos de insatisfação elitista com o preço do laquê para os topetes das madames, ou a arroba do gado para os aristocratas, o que acham?
Pois bem, os estudantes brasileiros, em 68, protestavam contra o Regime militar instaurado em 64 e a reforma universitária proposta pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 1967, que adota o modelo norte-americano de educação.
O que já é uma coisa, penso que neste tempo, a ideologia era mais ativa, os jovens menos egoístas, menos acomodados, mais independentes, mais políticos. Tanta coisa mudou, hoje, o que se preocupa é quando vai ser o próximo jogo, o próximo “pop-rock”, falta iniciativa, sobra alienação e egoísmo, o que diagnostica tanta atrofia de atitude.



*** Foto de 1968, passeata dos "cem mil",Rio de Janeiro, autor ignorado.***